Um resumo
Web 2.0 deu origem ao que foi batizado de desktop móvel, mas cuja denominação
mais apropriada seria PC móvel, já que ela torna praticamente desnecessário ter
um PC específico, pois é possível manter todo o conteúdo do seu computador
on-line, manejando-o a partir de qualquer máquina. Com o desenvolvimento da Web
2.0, a tendência é que o único software que precise estar instalado no PC seja
o browser. Já se fala inclusive de Web 3.0, que incorporaria recursos de
inteligência artificial, tornando as ferramentas ainda mais inteligentes e
facilitando a organização e busca de informações. Historicamente passou-se de
grandes computadores nas empresas para um computador para cada usuário, e agora
muitos usuários e muitos computadores gerando alto valor agregado.
No
início, a informática tinha elementos fundamentais como o hardware e o
software. A IBM achava que continuaria a
ganhar dinheiro com o hardware, a Microsoft com o software, e hoje sabemos quem
estava com a razão. Com a criação da Web 2.0 temos um novo conceito, a webware,
definida pela própria Wikipedia como a segunda geração de serviços e
aplicativos da Internet, que permite maior interação com o usuário e semelhança
com aplicações desktop, para atender de forma mais abrangente o peopleware
(usuários que utilizam direta ou indiretamente a computação) por meio da
Inteligência Coletiva.
Os
softwares de escritório existentes hoje migrarão cada vez mais para a webware,
utilizando fundamentalmente um simples browser como interface com o usuário
(quem sabe um sistema operacional do futuro, extremamente leve e rápido, que
tenha somente como IHM - Interface Homem-Máquina - a tela inicial de um
browser).
Na
Web 2.0, pelo fato de todos os internautas do mundo estarem colaborando e
ajudando nos testes, constantemente o aplicativo sofre modificações,
aprimorando-se. A chave de outro princípio é “Pequenas Peças Frouxamente Unidas”,
que faz uma analogia com um grande quebra-cabeça, onde todos fornecem as suas
próprias peças para a montagem de um grande site. O que se complementa com a ideia
da “cauda longa”, definida por Chris Anderson: o poder coletivo de pequenos
sites que constituem a maior parte do conteúdo da rede.
"Web
2.0 é a mudança para uma internet como plataforma, e o entendimento das regras
para obter o sucesso nesta nova plataforma. Entre outras palavras, a regra mais
importante é desenvolver aplicativos que aproveitem os efeitos da rede para se
tornarem melhores quanto mais são usados pelas pessoas, aproveitando a
Inteligência Coletiva."
Conforme
cada usuário é inserido no sistema, seus próprios arquivos são disponibilizados
para o restante do grupo; logo, quanto maior esse número de usuários, maior será
o potencial de serviços disponíveis nessa rede. De forma muito inteligente, as
pontas são conectadas, potencializando o poder individual de cada usuário.
Um
neurônio nada vale sem a conexão a outros; conectado, produz as sinapses e
aumenta a inteligência. Atualmente, um computador, se não estiver conectado a
outros, não propicia a Inteligência Coletiva. Seria análogo a um maravilhoso
carro, sem rodas, numa garagem - não vai a lugar nenhum! Como afirma Gilson
Schwartz, "no cérebro, sinapses. No ambiente, redes."
Usos Pedagógicos da Web 2.0
Um
dos lemas da Web 2.0 é: tudo é matéria-prima para ser usada e remixada. Com a
Web 2.0, diversos conteúdos são criados e mantidos de forma dinâmica por
usuários e comunidades e, portanto, não são mais considerados acabados nem com
uma finalidade específica. Ao contrário, tudo é viso como matéria-prima, que
pode ser retrabalhada em função dos interesses e necessidades dos usuários. Daí
a ideia de remixagem, que pode ser considerada uma palavra-chave dessa
tendência, assim como a ideia da versão beta permanente, que já abordamos. Nesse
sentido, na Web 2.0 o usuário não é mais pensado apenas como recipiente
passivo, mas simultaneamente como produtor e desenvolvedor de conteúdo. A Web
2.0 facilitou tremendamente a criação de conteúdo de todo tipo, a ponto de podermos
falar de uma "sociedade de autores". Para a EAD, isto significa que o
aluno passa também a ser, além de leitor, autor e produtor de material
didático, e inclusive editor e colaborador, para uma audiência que ultrapassa
os limites da sala de aula, ou mesmo do ambiente de aprendizagem. A habilidade
para acessar e publicar conteúdo com facilidade nos força a repensar o que
esperamos de nossos alunos, e inclusive o que significa ensinar e aprender. Portanto,
a Web 2.0 questiona não apenas a separação entre usuário e autor, mas também a
separação entre aluno e autor. O que não dizer então da divisão entre o
professor autor e o professor tutor? Na Web 1.0, os sites funcionam como
folhetos virtuais, em que o usuário vai e "pega" algo. Na Web 2.0, o
usuário pode também deixar algo. Não ocorre apenas download, mas também upload.
Não importa se é um vídeo, um podcast ou um verbete de uma enciclopédia, mas as
pessoas querem participar ativamente, querem deixar algo, não querem ser somente
espectadores passivos. As pessoas querem interagir diretamente na mídia têm
consciência de que podem contribuir de alguma maneira.
Fonte: Carlos Valente e João Mattar, "Second Life e Web 2.0 na Educação"
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