quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Web 2.0 na Educação

Um resumo
                    Web 2.0 deu origem ao que foi batizado de desktop móvel, mas cuja denominação mais apropriada seria PC móvel, já que ela torna praticamente desnecessário ter um PC específico, pois é possível manter todo o conteúdo do seu computador on-line, manejando-o a partir de qualquer máquina. Com o desenvolvimento da Web 2.0, a tendência é que o único software que precise estar instalado no PC seja o browser. Já se fala inclusive de Web 3.0, que incorporaria recursos de inteligência artificial, tornando as ferramentas ainda mais inteligentes e facilitando a organização e busca de informações. Historicamente passou-se de grandes computadores nas empresas para um computador para cada usuário, e agora muitos usuários e muitos computadores gerando alto valor agregado.
                   No início, a informática tinha elementos fundamentais como o hardware e o software. A IBM achava que  continuaria a ganhar dinheiro com o hardware, a Microsoft com o software, e hoje sabemos quem estava com a razão. Com a criação da Web 2.0 temos um novo conceito, a webware, definida pela própria Wikipedia como a segunda geração de serviços e aplicativos da Internet, que permite maior interação com o usuário e semelhança com aplicações desktop, para atender de forma mais abrangente o peopleware (usuários que utilizam direta ou indiretamente a computação) por meio da Inteligência Coletiva.
                   Os softwares de escritório existentes hoje migrarão cada vez mais para a webware, utilizando fundamentalmente um simples browser como interface com o usuário (quem sabe um sistema operacional do futuro, extremamente leve e rápido, que tenha somente como IHM - Interface Homem-Máquina - a tela inicial de um browser).
                   Na Web 2.0, pelo fato de todos os internautas do mundo estarem colaborando e ajudando nos testes, constantemente o aplicativo sofre modificações, aprimorando-se. A chave de outro princípio é “Pequenas Peças Frouxamente Unidas”, que faz uma analogia com um grande quebra-cabeça, onde todos fornecem as suas próprias peças para a montagem de um grande site. O que se complementa com a ideia da “cauda longa”, definida por Chris Anderson: o poder coletivo de pequenos sites que constituem a maior parte do conteúdo da rede.
                   "Web 2.0 é a mudança para uma internet como plataforma, e o entendimento das regras para obter o sucesso nesta nova plataforma. Entre outras palavras, a regra mais importante é desenvolver aplicativos que aproveitem os efeitos da rede para se tornarem melhores quanto mais são usados pelas pessoas, aproveitando a Inteligência Coletiva."
                   Conforme cada usuário é inserido no sistema, seus próprios arquivos são disponibilizados para o restante do grupo; logo, quanto maior esse número de usuários, maior será o potencial de serviços disponíveis nessa rede. De forma muito inteligente, as pontas são conectadas, potencializando o poder individual de cada usuário.
                   Um neurônio nada vale sem a conexão a outros; conectado, produz as sinapses e aumenta a inteligência. Atualmente, um computador, se não estiver conectado a outros, não propicia a Inteligência Coletiva. Seria análogo a um maravilhoso carro, sem rodas, numa garagem - não vai a lugar nenhum! Como afirma Gilson Schwartz, "no cérebro, sinapses. No ambiente, redes."
Usos Pedagógicos da Web 2.0

                   Um dos lemas da Web 2.0 é: tudo é matéria-prima para ser usada e remixada. Com a Web 2.0, diversos conteúdos são criados e mantidos de forma dinâmica por usuários e comunidades e, portanto, não são mais considerados acabados nem com uma finalidade específica. Ao contrário, tudo é viso como matéria-prima, que pode ser retrabalhada em função dos interesses e necessidades dos usuários. Daí a ideia de remixagem, que pode ser considerada uma palavra-chave dessa tendência, assim como a ideia da versão beta permanente, que já abordamos. Nesse sentido, na Web 2.0 o usuário não é mais pensado apenas como recipiente passivo, mas simultaneamente como produtor e desenvolvedor de conteúdo. A Web 2.0 facilitou tremendamente a criação de conteúdo de todo tipo, a ponto de podermos falar de uma "sociedade de autores". Para a EAD, isto significa que o aluno passa também a ser, além de leitor, autor e produtor de material didático, e inclusive editor e colaborador, para uma audiência que ultrapassa os limites da sala de aula, ou mesmo do ambiente de aprendizagem. A habilidade para acessar e publicar conteúdo com facilidade nos força a repensar o que esperamos de nossos alunos, e inclusive o que significa ensinar e aprender. Portanto, a Web 2.0 questiona não apenas a separação entre usuário e autor, mas também a separação entre aluno e autor. O que não dizer então da divisão entre o professor autor e o professor tutor? Na Web 1.0, os sites funcionam como folhetos virtuais, em que o usuário vai e "pega" algo. Na Web 2.0, o usuário pode também deixar algo. Não ocorre apenas download, mas também upload. Não importa se é um vídeo, um podcast ou um verbete de uma enciclopédia, mas as pessoas querem participar ativamente, querem deixar algo, não querem ser somente espectadores passivos. As pessoas querem interagir diretamente na mídia têm consciência de que podem contribuir de alguma maneira.
Fonte: Carlos Valente e João Mattar, "Second Life e Web 2.0 na Educação"

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